Direito à tristeza.

Olá personas...

(Texto removido)

Pergunto... É possível alguém acordar todos os dias de bom humor? Digo... Levantar e estar feliz por mais um dia. Grato à Deus por mais um dia. A misericórdia de Deus nos presenteia com mais um levantar e devemos agradecer por essa dádiva. Mas até onde me é permitido entristecer? Conheço gente que me dá esporro quando estou triste, já ouvi que meus motivos são ínfimos e que isso é egoismo meu. Mas afinal de contas, qual o limite da felicidade? É óbvio que sou grato por estar vivo. Principalmente por tudo que planejei e não executei. Acreditem, suicídio era um assunto recorrente entre eu e mim mesmo. Existe alguém que é feliz todos os dias? Algum de vocês? Conheço uma pessoa que acorda feliz, muito feliz mesmo. Deus fala com ela abundantemente. Mas será que ela não fica triste em nenhum momento? O que eu preciso fazer, usar, beber, injetar, aspirar ou qualquer outra coisa, para conseguir alegria todos os dias? Deus é refrigério. Mas ainda sim não é permitido entristecer-se?

Esse é um assunto que não consigo por no papel do jeito que me agrade. 23 dias sem beber e digo, tem sido muito positivo. Não me prendendo a bebida fico livre para ir a qualquer lugar. Meu humor de certo modo até melhorou, minha saúde também. Mas e o resto? Tudo no tempo de Deus.

Hoje, terça feira, fiquei meio sentimental, meio down, o que me motivou a escrever esse texto até o momento meio desconexo e sem sentido. Conversando com uma amiga no trabalho lembrei dos meus 27 anos. Precisamente dos últimos 10. Lembrei de todos os erros que cometi e principalmente daquilo que deixei de fazer. Olho pra trás e vejo que tem tanta coisa que eu gostaria de ter feito. Vocês podem se perguntar, "Por que não faz agora?". Simples, não sei. Sério. Eu acho complicado, hoje não sou a mesma pessoa de 10 anos atrás. Se eu tenho essa cabeça de hoje a 10 anos, sério, muita coisa seria diferente e possivelmente esse Nilber imaginário de 27 anos não precisaria estar escrevendo num blog de significância quase nula perante a sociedade. Não se enganem, não fico confortável em expor aqui o que sinto desta forma. É um risco o que eu faço, no entanto, é o que tem me ajudado. Um risco pouco calculável, mas que resolvi assumir.

Qual o limite do sentir? Digo, qual a linha que devo atravessar pra decidir se é justo estar triste ou não? Tão desleal. Tem gente que fica muito triste por não conseguir comprar aquela blusa caríssima de 500 reais pra ir numa festa. Essa pessoa fica tão triste que não quer mais ir pra festa. Tem gente que fica triste porque não tem o que comer. E não tem festa pra ir também. Friamente olhando, de modo taxativo fica fácil ver qual dessas pessoas tem realmente razão em estar triste. Durante a crise de 29 nos EUA muita gente suicidou-se. Pessoas que eram ricas num dia e no outro não tinham nada. Viadagem? Infantilidade? Talvez. Não sei até onde posso julgar o que o próximo sente. É óbvio que deve ter um limite, para o bem da sociedade e da humanidade. Um garoto ficar triste porque sua mãe não o deixou jogar até mais tarde não pode matá-la por isso. Tudo tem limite, como dizem.

O problema está nas coisas medianas. Nessa régua que tende ao infinito, onde as extremidades são as exceções claramente taxadas como inaceitáveis e no meio dessa régua está o 50-50. Nesse meio está o 0 (zero) imaginário. Nesse ponto não há tristeza e nem alegria. Nesse ponto essas forças são iguais em sentidos opostos e se anulam. Mas e ai. Onde você põe seu sentimento dentro dessa régua? Se pudesse escolher de acordo com seu interior, onde colocaria seus sentimentos. Imagine a reta dos números inteiros, onde há os números negativos e positivos. O 0 (zero) é o ponto que identifiquei como 50-50, é o ponto onde as forças se anulam. Imagine que a direita do 0, nos números positivos, você marque seu nível de felicidade/alegria. Imagine que a esquerda do 0, nos números negativos, você marque seu nível de tristeza/frustração/solidão. Qual é o saldo? -5+10? Como categorizar, mensurar algo tão individual? Por isso que aprendi uma coisa. A menos que seja um motivo amplamente banal, algo indubitavelmente absurdo, com exceção desses casos, tento não julgar o que a pessoa sente. Aprendi que cada um sofre de um jeito à um mesmo estímulo. Por favor, não julgue meus motivos. O que sinto norteia meu agir. Talvez, você no meu lugar, teria feito algo pior.  Roubar, estuprar e matar são errados. Mas o que motivou a pessoa? De repente roubou pra dar de comer ao filho doente em casa, matou com medo de morrer e estuprou por ter um psicopatia qualquer. Precisam sofrer as consequências dos seus atos, pelo bem da sociedade e da humanidade, tudo precisa de um limite, como disse mais acima. Além do mais, esses exemplos citados são os que chamei de indubitavelmente absurdos e os são porque envolvem outrem que nada tem a ver com autor da ação de roubar, matar, estuprar... Se alguém está fazendo algo que está se prejudicando, se eu achar que devo, vou ajudar a não fazê-lo mais. Não quero julgar se os motivos são certos ou errados. Quero ajudar essa pessoa a não cometer mais crimes contra si. Se essa pessoa estiver se cortando porque perdeu o namorado ou só pra chamar a atenção dos pais, preciso ajudá-la a exteriorizar a frustração de outro modo, não devo julgar seus motivos, de repente, se fosse eu a sentir o que essa pessoa está sentido, talvez tomasse atitudes piores. Uma vez vi um eletricista por a mão num fio descascado, perguntei se ele estava sentido choque, ele disse que sim, mas mesmo assim continuou seu trabalho normalmente. O estímulo elétrico com certeza provoca atitudes diferentes entre ele e eu. Caso fosse eu, com certeza, não conseguiria segurar aquele fio. Quando cogitei o suicídio muita coisa passou pela minha cabeça, mas quase ninguém sabe todos os motivos. Meu irmão entendeu os meus motivos e dentro do possível me ajudou. Uma amiga me ajudou muito também. Mas acho que ela cansou um pouco de mim. :) Ninguém é obrigado a me aturar. Como ela mesma disse em algum momento "Sinceramente não sei porque ainda perco meu tempo precioso e escasso com sua infantilidade e falta de noção... Mas me importo com você." Sabe o melhor? Isso não me fez sentir nem um pouco de ódio por ela. Nem raiva. Fiquei triste, só, muito mais por tê-la magoado do que por ter sido ofendido. Tenho um amor grande por ela e o melhor, nem sei porque também. Foi algo tão instantâneo e bizarro. Desejo tudo do bom e do melhor pra ela e seu casamento. Ela merece muito. Seu temor e amor a Deus são impressionantes. Se estou vivo hoje devo muito à essas pessoas. Minhas primas, meus pais... Essa minha amiga deve ter razão, ouvi algo parecido de mais algumas pessoas, que sou infantil e tals... A diferença que essas outras pessoas não sabem nem da metade das coisas que meu irmão e essa minha amiga sabem.


(Texto removido)


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Até a próxima.

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