Outono, você não é minha estação preferida, porém lhe tenho grande apreço. Nesse ano em particular, você tem um gosto nostálgico e triste. Traz-me lembranças boas e a tristeza de que os dias bons foram breves. Outono, eu te entendo. As folhas vão ao chão. As folhas ressecam e morrem. Asfixiadas pelo próprio peso de simplesmente existir. Fim trágico, porém nobre. Sacrificadas por um bem maior. Desde o nascimento, fadada ao fim desolador. Para muitos, injusto. Porém, assim, apenas cumprem sua missão. Seus herdeiros receberão as devidas condolências. As folhas fazem parte do processo. Sua morte é a vida. É paradoxal. Porém, simples. Na vida, talvez eu seja como a folha. Tudo dor, talvez, seja apenas parte de algo maior. As folhas sabem, desde o alfa, o ômega. Mesmo assim, não perdem a beleza. Vivem de aparência. Pensando melhor, talvez eu seja como a árvore. Que se mutila. Que se maltrata. Mas sobrevive. Sobrevivência. Mutilar-se vai além de um estilo de v...