Nicho... Sentimento de pertencimento...
Olá personas...
Esse texto é sobre algo muito singular, mas comum a todos nós. Sentimento de Pertencimento.
Sentimento de pertencimento nada mais é que sentir-se pertencente a algo, sentir-se bem e seguro. Seja algum local ou algum grupo social. Um dia fui ver um jogo do Flamengo num bar com um monte flamenguistas. Definitivamente não me sentia pertencente ao local, muito menos pertencente ao grupo social, mas com meu irmão lá tudo tornou-se suportável.
Não sei se acontece isso com vocês, por exemplo, digamos que meu irmão tenha comprado uma blusa ph0d@ e ele me pergunta se eu quero emprestado pra usar. Eu dificilmente aceitaria. É meu irmão. Amo-o muito. Mas não. Por que? Porque não me pertence. Pra mim é estranho eu pegar algo emprestado pra ter que devolver. Curtir algo que não me pertence. Uma vez o primo da minha ex ia casar e ele me emprestou um blazer dele para que eu usasse no casamento. Eu fiquei muito mais satisfeito em mandar a costureira acertar o meu, e o que ele me emprestou ficou com o meu ex-cunhado. Senti-me melhor assim. Por mais que o blazer dele fosse muito mais bonito que o meu, mas eu usei o meu. Usei com gosto por ser meu, me pertence. Isso pra mim é muito importante. Por isso nunca fui de pegar video games, nem jogos emprestados, porque não são meus. Pra mim é estranho usufruir de algo sabendo que logo depois teria que devolver.
Sentimento de pertencimento também explica porque você passa 15 dias numa casa de praia, num ambiente muito agradável, mas sente alívio ao pisar em casa e deitar na sua cama. Talvez a sua cama não seja aquela kingsize do hotel 5 estrelas que você ficou em Montreal, mas ao chegar em casa, você se deita na sua cama com um sentimento bom, é seu.
Sentimento de pertencimento é quando você está com seus amigos mais achegados. Você não trocaria uma noite na melhor boate com pessoas fúteis por esse momento, um simples carteado com seus amigos, um jogo de tabuleiro, uma partida de bilhar... Você se sente pertencente àquele nicho social, sente-se bem, protegido e importante (guarde essa palavra).
Chegando onde eu quero chegar. Eu não me sinto pertencente à quaisquer nicho social ou local. Simples assim...
Poucas foram as oportunidades onde me senti 100% pertencente ao local. Exemplo, um dos locais onde eu mais me sinto bem, na casa da minha prima Carla. Mas mesmo assim, faço de tudo pra não incomodar. "Qual o sabor da pizza que você quer? Calabresa ou atum?". Prima, pra mim tanto faz. "Pode ser uma pizza de azeitonas?". Pode sim prima. Mesmo não gostando de azeitonas. O que eu posso fazer? Sinto-me muito acolhido lá, minha prima e seu marido são pessoas excepcionais, sinto-me seguro, bem, feliz e importante (olha a palavra ai... :) ). Mas mesmo assim, a casa não me pertence e por isso devo manter-me no meu lugar, o de visita.
É estranho. Num bar nunca me senti muito bem. Muitas pessoas. Praia, não gosto, além da vergonha natural, água salgada não me agrada. Sítio, assim como a praia é muito cheio. Show de funk, pagode, forró... Não gosto das músicas e possivelmente não gosto das pessoas que estarão lá. Eu vibro em outra frequência, entendem? Igreja? Maranata, Batista e agora Assembléia. Deus é tremendo. Mas não me sinto pertencente à sociedade da Igreja. As pessoas de dentro da Igreja não me fazem sentir-me acolhido como eu gostaria, ou de um modo que eu me sinta confiante, a vontade e importante. Show de rock? Amo rock, mas não... muita gente mal educada e mal assepsiada. Um rock tem seu valor, a vertente de música que mais ouço, mas no celular, em casa numa possível resenha ou sozinho mesmo. Fui à um evento de anime, foi muito divertido, muito mesmo, mas me senti um ponto fora da curva as vezes. E tem gente que me chama de nerd... não, nerd são as pessoas que eu vi lá. Algumas dessas falavam koreano, japonês, conhecia dezenas de desenhos e animes. Video game não me consegue me entreter mais. Tecnologia? Bom... é o que tem me mantido ocupado. Gosto muito do meu trabalho, quero crescer ainda mais. Mas isso é insuficiente.
Aos 27 anos ainda não encontrei um nicho onde eu possa recostar e sentir-me pertencente no contexto completo da palavra. Eu to cansado de ter que dar o meu jeito para pertencer à vida dos outros. Cansei de ser o que o outro precisa. Ninguém quer ser o que eu preciso. Minha ex curtia muita balada e eu a acompanhava para lugares que possivelmente não iria sozinho. Tenho algumas pessoas próximas que em toda minha vida eu tentei ser para elas o que essas pessoas mais precisavam de mim sob quaisquer circunstâncias, o que eu recebi em troca? Algumas acusações... Infantil... Imbecil... Sem noção... Julgaram apenas os meus atos sem ao menos buscar interpretar meus motivos e sentimentos. As pessoas se cansam muito fácil uma das outras. "Estou aí para o que der e vier" tornou-se clichê demais. É uma utopia. Acho que por isso sou melhor com máquinas do que com pessoas.
Preciso evoluir como pessoa e entender também que preciso me pertencer. De certa forma isso deverá me ajudar. Mas não é isso que sinto. Acordar, trabalhar, estudar e dormir... Isso definitivamente não é sadio. Esse blog, quase invisível aos olhos da sociedade, tem me ajudado, tem sido mais que uma catarse, um companheiro.
Conhecer uma pessoa que me faça sentir importante do jeito que sou. Que eu não precise alterar meu 'eu'. Minha última experiência terminou de um modo terrível, doloroso e triste. Alguém que me aceite e me ame do jeito que sou. Acho que isso define.
Até a próxima.
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