Cortes da vida.

Hello darkness, my old friend...

A ideia do texto foi concebida ontem, digo, o estimulo foi esse final de semana desprezível e deprimente. Porém se o escrevesse ontem, seria pior.

Se houve finais de semana em que fui um completo idiota e estupido, esses primeiros dias de outubro, mês das crianças, com certeza, seria top 5. Aliás, atitudes pueris no prelúdio do mês das crianças não parece ser mero simbolismo ou coincidência.

Data de corte, tempo de corte, nota de corte... Corte... A palavra cortar, além de verbo, é um signo, estabelece limites e rupturas. Este ultimo pode suave como com um bisturi ou abrupto, violento, como com um canivete suíço inutilizável.

Cortes podem moldar, afinal, essa sua camisa, seja ela de 10 ou 300 reais, sem cortes, seria apenas um saco de batatas, na mais otimista das hipóteses.

Corte como ruptura é sempre algo dolorido. Cortar relações com alguém, com o passado, com a saudade, com o amor, com a vida... Não importa se com ou sem sangue. O sangue é mero lubrificante/analgésico hipotético e incapaz. Nessa conjectura impossível cortar sem sentir. Espiritualmente, sentimentalmente, carnalmente... Pouco importa. Cortar, nesse caso, é dolorido e custoso.

Corte como limite é sempre, ou quase sempre algo a ser ultrapassado. Geralmente separa os competentes dos incompetentes. Os mais fortes e velozes dos mais fracos e lentos. Pra passar nessa prova você precisa ultrapassar a nota limite de 6,0. Pra ir pra final você tem que percorrer esse percurso abaixo desse tempo limite. Pra vencer você precisa erguer o peso acima do valor limite... Cortes limitam e separam os competentes dos incompetentes.

Então, nesse final de semana eu flutuei sobre o corte e seus signos. De tantas formas que o limite entre a vergonha e amor próprio me fazem ser comedido nas palavras. "Parei de pensar e comecei a sentir..."

Hoje de manhã acordei com vergonha. Afinal, esse final de semana foi literal e metaforicamente um final de semana de cortes.

Eu, que quase sempre tento não julgar alguém, sob meus ombros jogo o peso de um julgamento de um juiz implacável, para alguns desonesto e injusto. Eu pego muito pesado no meu julgo comigo mesmo, invariavelmente.

Nesse final de semana houve muitos cortes. Cortei relações com o amor próprio e auto estima. Cortei relações com o racionalismo. Cortei relações com a esperança, com a politica, com a fé e com outras coisas que são desnecessariamente citáveis. Não são citáveis, porém ilustráveis. Tentei ilustra-los na palma da mão. Coragem é pra poucos e comigo não é diferente.

Os cortes de limite eu ultrapassei alguns. Limite da estupidez. Limite alcoólico. Limite da insanidade. Limite do orgulho. Limite da vergonha. Limite da auto preservação. Foram cortes e mais cortes. Um espadashim teria inveja de mim.

Se tivesse um bisturi ou uma faca Ginsu 2000 poderia ter cortado muito mais.

Esse final de semana foi tão intenso, dolorido, cansativo mentalmente que meu pai quis me dar calmante. Depois de um final de semana destes, só o mero fato de eu ter levantado da cama no horário certo, ou minimamente ter levantado é um feito e tanto.

Onde eu assino pra trocar de nome, cidade e ir pra um lugar onde ninguém me conheça, onde eu possa escrever uma nova história? De todos os sentimentos desse final de semana, pra essa segunda, me restou muita vergonha.

Se eu fosse melhor em cortes eu não estaria escrevendo até aqui. Já tem umas 10 linhas que to tentando finalizar esse texto, afinal, não sou competente em cortes. Aliás, se eu fosse bom em cortes talvez nem escrevesse esse texto, ou porque seria desnecessário ou ainda porque eu não estaria aqui pra escreve-lo.



Então vou fazer assim, cortar aqui e agora esse texto. Abruptamente. Afinal, cortes também o podem ser.

obs.: Clarisse, eu te compreendo.

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See ya!!!!



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