Eu quero ter um milhão de amigos ♫

Parafraseando Roberto Carlos, "Eu quero ter um milhão de amigos" ♫
Não que os que eu tenha sejam ruins. Pelo contrário. Tenho amigos com quem posso contar a qualquer momento e isso é inegociável.
Meus amigos realmente me suportam. Suportam-me no sentido de dar suporte e no sentido de suportar mesmo. Sou piadista, mas cheio de medos e traumas.
Só que eu preciso de outros amigos.
Preciso pra tirar a "prova dos 9" e entender ser realmente eu sou retardado, retrógrado, dissonante... Ou se apenas sobrevivo num meio impropício, cujo qual não tenho sentimento de pertencimento algum.
Sobre mim já ouvi muitas coisas, inclusive que sou raro. Eu até que compreendo como verdade o que a dra falou. Porém, não quer dizer que seja bom... pra mim.
Um tornado é incrível, impiedoso e violento. Destrói a tudo sem distinção. Ao menos não faz acepção de pessoas ou coisas. Seja o que estiver a frente é dizimado, sem misericórdia.
O que quero dizer com isso? Tudo, inclusive nada.
É difícil estar na minha cabeça. Minha vida nem é ruim. Digo, não passo fome, tem um teto pra morar, tenho meus pais, amigos, emprego. Algumas mordomias, como veículo próprio (Ok, não é um carro 0, mas me transporta).
O maior problema dentro.
Tinha uma amiga que dizia ser espiritual.
Outros amigos dizem ser carência, emocional.
Há quem diga que seja mental, eu penso muita coisa.
Bom, seja o que for, estar em mim com as minhas perguntas e meus traumas é um desafio e tanto.
Quem sabe dos meus traumas sabe do que estou falando.
Os traumas que me repelem dos meus sonhos e desejos.
Em mim há a dor dos traumas, em contra partida há a dor por sentir tanto essa dor.
É quando olho pro lado no hospital e vejo uma criança com câncer correndo e eu, com saúde, remoendo meus problemas.
Faz-me sentir menos homem, inclusive.
É um círculo vicioso.
Eu fico triste pelos meus motivos e traumas (ínfimos ou não). Aí fico puto porque uma parte de mim grita aos meus ouvidos que eu sou uma criança reclamona. Aí fico triste porque não deveria ficar puto, afinal, é o que sou, é o que sinto, meu coração pueril e eu. Aí fico puto porque a parte de mim continua gritando que toda essa história de coração pueril é babaquisse e me torna mais fraco, menos homem. Aí fico triste de novo porque eu me cobro tanto que pareço me odiar. Aí fico puto porque a parte de mim torna a gritar que sou um fraco que não guarda rancor de ninguém.... Isso é todo dia, a todo instante... Como se dançasse uma sinfonia suicida. Um suicídio lento e doloroso. Bem lento. Bem doloroso.
Ajuda? Já procurei dezenas. Renato Russo diria "Já tentei muitas coisas de heroína à Jesus" ♫
Ok. Nunca usei heroína nem nada. Mas tenho outros vícios como o próprio álcool.
Vicio é algo engraçado. Ao menos comigo. Porque nem enxergo como vício. É só uma convivência compulsiva, sei lá.
Eu tenho um vício até relativamente comum, mas que me incomoda demais.
Talvez fruto de um dos meus traumas.
Mas minha relação com esse vício é complexa.
Toda vez que caio em tentação e consumo o produto fico puto.
Puto porque não deveria mais depender disso. Mas aí fico triste porque é praticamente o que posso fazer por mim. Aí fico puto de novo porque não tenho mais idade pra isso e deveria fazer outras coisas. Aí fico triste porque não consigo buscar soluções, alternativas e me prendo a isso. Aí fico puto porque sou incompetente. Aí.... Bom, já viram né. O círculo... a sinfonia suicida...
Meus medos, traumas e eu travamos uma batalha diária. Embora alguns digam que eu eu não lute contra eles.
A briga é injusta, eles parecem imortais. Mas eu brigo muito. Brigo pra não perder. Pra não morrer. Mas também pra não deixar de ser quem realmente sou.
Enquanto há essa guerra santa, meus sonhos e eu nunca poderemos nos encontrar.
Hoje eu acordo e durmo e quaisquer coisas que me aconteça entre esses eventos é praticamente irrelevante.
É estranho sentir o que sinto. Esse vazio onde caberia uma pessoa.
Sem rumo, sem direção, vago pelos dias.
Ok, mas pra que os novos amigos?
Sei lá. De repente só mais uma busca pela salvação.
De repente me encontre em algum lugar, alguma tribo, alguma civilização.
Ou então não, pra que eu entenda que eu sou realmente raro, não pertenço a lugar algum e por isso sou amaldiçoado.


Comentários

  1. Sejam ciclos, ou ondas... não importa o nome que damos a isto. Porque ela está lá todos os dias, para nos fazer lembrar que isto tudo é o que nos torna, vivos!

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