Chamaram-me de covarde!

Olá personas;

Uma amiga um dia me disse, olhando nos meus olhos, que eu era um covarde. Tal atitude me deixou surpreso porque sempre ligava covardia à atitudes desonestas. "Ah, Fulano foi pego na covardia!", covardia remetia à coisas injustas e desonestas. no entanto, após esse "soco" me vi obrigado a repensar, porque, por mais imperfeito que eu seja, apesar das dezenas de centenas de defeitos que possuo, desonesto e injusto é algo que não considero ser. Não sou perfeito e tenho certeza que em algum momento acabei agindo desonestamente ou injustamente, todavia, estejam certos que nesses momentos as atitudes não foram pensadas, foram atitudes impulsivas, ou, foram momentos em que, por mais que as minhas atitudes fossem pensadas, meu julgamento, meu diagnóstico mostrava que estas atitudes não eram desonestas nem injustas, certeza que posteriormente mostrou-se equivocada. Contudo repito, não sou desonesto nem injusto, ao menos procuro não ser. Isso eu posso afirmar categoricamente sem medo de estar sendo soberbo ou arrogante.
Covardia no sentido usado contra mim tinha um significado mais particular. É o efeito do medo. na verdade é sequencial ao medo. É o que o medo pode me causar. Acerca disso não possuo muitos argumentos em minha defesa.
Medo é um sentimento inato. Excetuando pessoas que possuem algum tipo de distúrbio psicológico como um sociopata, todos temos medo. Medo é um sentimento fundamental. Imagino eu que o medo é um dos sentimentos que regem nosso pensamento e nos ajudam a dizer se algo é bom ou não. Ajuda-nos a entender as consequências de algo. Uma criança não tem medo de muita coisa. Tudo é novidade. Então, ao colocar o dedo na tomada e levar uma descarga elétrica, a criança passa a entender que colocar o dedo na tomada é perigoso e dolorido e desta forma passa a ter medo da tomada. Agora, estamos no binômio coragem/covardia. É nesse binômio que se concentra a ideia e a decisão de, ou colocar o dedo novamente na tomada, ou não colocar o dedo novamente na tomada. Nesse caso a tomada de decisão está alicerçada ao medo e diretamente coligada à experiências anteriores. Já fiz algo idêntico ou parecido e o resultado não me foi satisfatório. Tenho medo. Faço ou não? Se sim, coragem, se não, covardia.
Através do site Psicologado li que o medo possui 6 fases. do mais brando ao mais intenso são eles, a prudência, a cautela, o alarme, a ansiedade, o pânico e o terror.
Um amigo estudante de psicologia me explicou que "o medo passa a ser patológico quando há um medo de algo que não prejudique a integridade do ser". Em outras palavras, ainda no site Psicologado li sobre fobia, "são medos determinados psicopatologicamente, desproporcionais e incompatíveis com as possibilidades de perigo real oferecidas pelos desencadeantes, chamados de objetos ou situações fobígenas." Exemplo: Catsaridafobia, medo de baratas. A fobia à baratas é considerado uma doença porque a fobia não é justificada pelo que efetivamente a barata pode fazer contra o indivíduo.
Covardia e fobia são coisas diferentes. De acordo com uma amiga e psicóloga, fobia, como acima descrito, é medo ao irreal. Covardia, mesmo quando prejudicial, ainda não é doença, todavia pode desencadear doenças como depressão, transtorno de personalidade, entre outras, sendo a depressão a mais comum. Também conversando com essa amiga chegamos a seguinte conclusão: O sentimento 'medo' é inato, no entanto, os objetos de medo não, estes são aprendidos. Ninguém nasce com medo de barata, escuro, lugares fechados, tomadas... O sentimento medo é inato, mas é como se fosse uma banco de dados vazio que conforme a experiência de vida vai se populando com itens. Aprendi a ter medo de algo, esse algo entra na lista e assim até a morte.
Chegamos a uma conclusão também. Essa minha amiga que esfaqueou-me com a palavra 'covarde', embora pouquíssimo sutil e singela, está com razão quanto a isso. De acordo com o que conversamos, minha amiga psicóloga e eu, o que tenho ainda não é uma fobia, mas sim, um sinal claro de covardia que possivelmente é a matéria prima para meus momentos depressivos e que, caso não tratado, pode desencadear sim uma depressão ou qualquer outra doença.
Tratar os medos é algo complexo. Com terapia já é algo muito difícil. Sozinho é quase impossível. :)
No entanto, terapia é algo um tanto quanto inacessível para o brasileiro em geral. Primeiro porque é algo relativamente caro. Assim, pelo nível de serviço prestado, acho que é até justo. A média do valor das consultas que pesquisei é de aproximadamente 95 "dilmas". Mas pra um país onde o salário mínimo é pouco mais que 700 "dilmas" e levando em conta que muitas das vezes é uma consulta por semana e que assim, podemos ter de 4 a 5 consultas num mês, gastar 500 "pilas" é algo inviável. Há também o preconceito. Muitos não procuram ajuda porque cansam de ouvir frases clichês e famigeradas como "Terapia é uma pia cheia de louça pra lavar." Sentem vergonha de buscar ajuda. Também há a própria vergonha do medo. Pessoas tendem a não se abrir porque quase ninguém está disposto a ouvir seus problemas, dar atenção, tentar efetivamente ajudar e principalmente, não fazer chacota com seus problemas. Outras frases clichês e famigeradas são ditas nessas horas, tal qual a frase "Você está chorando por isso?" ou ainda "Para de ser viado!" ou ainda "Para de frescura!". Essas frases de rejeição e chacota tornam ainda mais os medos enraizados, tornando o indivíduo um ser humano isolado e sem sentimento de pertencimento. Esse ser humano pode estar em qualquer lugar, mas não pertence à lugar algum. Acreditem, o ser humano necessita de socialização. A ausência do sentimento de pertencimento é um dos mais desastrosos problemas e pode causar muita coisa, até a vontade de morrer. Ou nunca ouviram uma história de alguém que se matou porque na escola todo mundo fazia chacota com ele, ele não interagia com outras pessoas, era isolado, sozinho...? Uma coisa que quase ninguém entende. Um suicida não quer morrer, ele quer apenas parar a dor. Alguns bebem, outros vão pra igreja, outros se drogam, outros se cortam... e quando nada funciona... Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz. Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho. Quando tudo está perdido, eu me sinto tão sozinho. Quando tudo está perdido não quero mais ser que eu sou...
Mas como eu disse pra uma pessoa que eu amo muito. A vida não é fácil. Talvez nem devesse mesmo ser. Afinal de contas, caso não fosse difícil, não daríamos valor. Se fossemos sempre felizes, não daríamos valor. É por saber o que é tristeza e o quão ruim isso é, é que buscamos ser felizes. É por saber o quão ruim é sentir-se só, é que procuramos alguém para nos fazer companhia. E pra terminar ainda disse assim, ou a gente tenta ser feliz até que efetivamente sejamos felizes, ou morremos logo de vez. Eu volto a beber e espero a morte vir me buscar ou a coragem pra ir até o seu encontro.
Por falar em bebida, desde o dia 20 de junho não bebo nada alcoólico. Quem diria... Graças a Deus.
Sobre ser feliz? Sobre covardia? Tentativa e erro... não tem jeito... a gente tenta ser feliz, enfrenta, erra, enfrenta, tenta de novo, erra, enfrenta, tenta de novo, erra, enfrenta, tenta de novo, erra, tent... até conseguir, ou até morrer. :)


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Até a próxima.

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