Fantasmas!
O que fazer quando se ama alguém que já morreu?
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Não porque jazeu em algum tumulo, mas sim porque morreu no tempo.
Uma morte existencial.
Quando alguém morre, tendemos a entender que essa pessoa cumpriu sua missão nesse planeta e que sua presença foi requisitada em outro plano.
Isso nem se quer é provado.
Nem pode ser.
Nem precisa.
Normalmente inventamos inconscientemente justificativas para acalentar a dor da morte na sua plena forma.
Mas quando a pessoa vive, mas morreu?
O tempo foi implacável e a enterrou na história.
Na minha mente, meu inconsciente não acalenta absolutamente nada.
Muito pelo contrário.
Olho-me no espelho e vejo seu sangue em minhas mãos.
Como se eu fosse cúmplice nesse assassinato.
Os velhos sofismas clichês mostram-se ineficazes.
De alguma forma sou vacinado contra esses sofismas de esperança.
Quase que totalmente estólido e inepto, vejo a tudo, mas percebo nada.
Viver com fantasmas é irrefragavelmente destrutivo.
Todavia, uma coisa é insofismável e irrefutável.
Um dia eu vou esquecer seu nome.
Um dia o sol brilhará aniquilando todos os seus fantasmas.
Esse dia vai chegar.
Nem que eu tenha que morrer, literalmente.
Mas vai chegar.
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