Choro sem lágrimas, choro no cerne do espírito e no âmago do coração. É a morte sem sepultamento. (texto de 2010)

O que fazer quando a dor do medo que fere o âmago de sua alma é fruto do atrito de pensamentos? Às vezes queria parar de pensar, mas não consigo obter o controle do que brota no cerne dos pensamentos. Choro sim, toda palavra que digo traz o peso do sentimento que me limita a felicidade. Sentimento que alimenta o ódio que sinto por mim mesmo. Eu compreendo quando se irritam com o meu temperamento e comportamento exclusivista, no entanto não é voluntário. É por isso choro sem lágrimas, choro no cerne do espírito e  no âmago do coração. É a morte sem sepultamento.
Talvez seja real a dimensão de que tudo é possível e que eu não enxergo tal realismo pois me limito nos detalhes e não me permito ir além do limite da compreensão de minha mente.
Irreal, é o que costumo dizer acerca dos fatos que não tem todas as perguntas (para mim) respondidas. Talvez seja irreal mesmo, mas a perseverança amplia os horizontes e vence inimigos invencíveis. Perseverança, arma que realmente não tenho intimidade e não sei manipular. Tenho exemplos assombrosos de como tal força é inacreditavelmente poderosa, mas teimosamente não amplio meu horizonte. E lembrando deles choro sem lágrimas, choro no cerne do espírito e  no âmago do coração. É a morte sem sepultamento.
Não sei se é orgulho. Na verdade creio que não haja nada de orgulho nisso, aposto que seja burrice mesmo. Nunca fui tão inteligente como todos pensam. Posso ter notas boas nos exames que enfrento, mas nos exames da vida com frequência fico reprovado. E em detrimento destas notas tão baixas choro sem lágrimas, choro no cerne do espírito e  no âmago do coração. É a morte sem sepultamento.
Não entender que o irreal pode ser real (basta querer) me aprisiona num quarto de vidro com portas e janelas abertas. Vejo tudo que está lá fora, mas não mexo um músculo para o externo deste quarto. Tenho medo do que vejo, medo que o que é real para vocês permaneça irreal para mim ampliando assim meu descontentamento e frustração.
Porque me nego ao (ir)real? Medo de perder o que amo. E acreditem, mesmo com toda minha limitação, eu consigo amar. Ninguém é insubstituível sou ciente disso. Mas a verdade é mais dolorida quando é comigo. Ser facilmente substituível talvez seja um dos motivos que me paralisam e não me permitem andar para fora do quarto. Se eu der um passo errado, posso ser substituído. Pensando nisso novamente choro sem lágrimas, choro no cerne do espírito e  no âmago do coração. É a morte sem sepultamento.
Talvez eu perca muito tempo pensando ao invés de agir. Penso muito sim, mas por medo de errar e não ter perdão. Dizer não ao medo é o que tenho mais medo. E novamente choro sem lágrimas, choro no cerne do espírito e  no âmago do coração. É a morte sem sepultamento.
Espero mudar. Estou lutando para alcançar tal progresso, mas é um tratamento dolorido e enquanto eu não alcanço tal maturidade...


...choro sem lágrimas, choro no cerne do espírito e  no âmago do coração. É a morte sem sepultamento.


Nilber Costa 21:17 10/02/10

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