Chuva II (por ela)

Obra antes sem vida, ressurge cheia de significado. Com o toque de Midas segue na íntegra.

Chuva II

Uma manhã chuvosa, 11 hrs, mas poderia ser muito mais. Uma péssima noite, chuva e trovões, dois corpos que quase ocupam o mesmo espaço, mas dois corações que se repelem, que mesmo juntos são água e óleo, que batem em frequências diferentes. 
Ele se levantou antes, depois de uma noite dessas precisava espairecer. 
Da cama escuto o barulho do chuveiro, decido não incomodá-lo​, preciso saber em que pé estamos, continuo deitada pensando na noite passada, um sexo que contemplou a carne, no entanto maltratou o espírito, corpo e alma desconexos, enquanto um gritava prazer o outro gritava dor. Aquele momento foi a ilustração da palavra paradoxo.
Ele passou pelo quarto e desceu, da cama ouvi barulho dos armários, da chuva que ainda pendia, ele liga o rádio, uns minutos depois sinto cheio de café, despretensiosamente visto sua camisa azul que estava jogada por um canto, aprecio o cheiro no colarinho antes de vesti-la . 
Quando cheguei à cozinha, entre um trovão e outro, não fiz contato visual imediato, sabia que ele estava com raiva ainda pela noite anterior, mas é mais do que posso controlar , despertar ciúmes é quase que involuntário.
Ele estava de costas a mim, olhando a chuva lacrimar a janela, também não me olhou nos olhos, mas sei que me olhava de soslaio enquanto eu de costas me esticava para pegar uma caneca no alto do armário. 
De forma quase imperceptível toco meu seio em seu braço enquanto tento pegar uma colher, ele se tensiona imediatamente ao sentir meu mamilo por menos de 1 segundo.
Pego minha caneca e subo, sentindo seus olhos em minhas costas.
Ao voltar pro quarto também com sua caneca na mão, eu estava lá, sentada na cama, cabisbaixa, mexendo em alguns objetos, subjetivamente, sem nenhum intuito, só por mexer mesmo, queria que a situação melhorasse, eu não planejei fazer ciúmes, mas ele foi muito cruel nas palavras na noite passada, foram gritos e maldições por todos os lados, uma discussão acalorada que terminou em sexo, mas tinha sido apenas isso, eu precisava de mais, precisava de alma.
Ele deita, pega um livro no criado mudo, mas parece estar desinteressado na leitura.
Buscando onde não tinha, inflo-me de coragem e rompendo assim a inércia, me aproximo dele. Deitei em seu peito, ele não me afastou, também queria meu toque.
Ele era quente, não precisávamos de lençóis, envolta em seu braço eu me sentia aquecida naquele dia frio. 
Aos poucos ele começa a me tocar, aproxima sua boca, cheira meus cabelos, começa leves carícias com a ponta do seu nariz, morde minha orelha enquanto acaricia minhas pernas, fui ficando cada vez mais indefesa.
Então resolve subir mais as mãos e carinhosamente toca em seus seios. Nesse instante eu desarmo meus escudos e acaricio seus cabelos e sua perna, Enquanto me beija, deita-me na cama.
Agarra-me pelos cabelos enquanto a outra mão forte passeia pelo meu corpo , alterna entre pegadas suaves de carinho e pegadas mais brutas de puro prazer, me deixa enlouquecida. 
Subindo a mão, resolve abrir minha blusa e a cada botão, um beijo, era quase uma tortura cada vagaroso beijo pelo caminho que os botões faziam, acaricio seus cabelos finos e negros,  em seu rosto havia um sorriso malicioso. No último botão, nossos corpos estavam posicionados,latentes, úmidos mas não ainda prontos.
Ele Beija meus seios e desce a mão pelo meu dorso observando atentamente meus pelos se arrepiarem até apertar minha bunda,  eu o encaro, ele entende, é puro tesão e é recíproco, nesse instante eu o aperto entre minhas pernas,  como que em resposta a uma pergunta que ele nem sequer fez, na verdade, nem precisou. Nessa hora eu o beijo como nunca antes.
Invertemos a posição, o ponho deitado e por cima começo a beijá-la  e o despir, neste momento estamos prontos, sem inconvenientes ou obstáculos, prontos para.
Coloca-me deitada novamente, beijando desde a ponta da minha orelha até onde eu mais queria, posicionado entre minhas pernas , eu o puxo pelos cabelos enquanto me dá  prazer. A cada linguada, um puxão de cabelo e cada vez mais, até que minhas pernas começaram a tremer, foi quando eu o puxei, beijei-lhe novamente, queria sentir meu gosto em sua boca, no seu ouvido supliquei: Por favor.
Ao iniciar, eu o encaro novamente, no entanto, em seus olhos agora havia luz e em seus lábios o sorriso mais lindo e cafajeste que já vi. 
Eu o empurro, o quero deitado e por cima começo a mexer, e  excita-lo, durante a dança, nos beijávamos freqüentemente. 
Viro de costas, sei que ele não resiste a  visão, me viro para ver seus olhos, mas eles estão passeando pelo meu corpo,ele me segura pela cintura como se pudesse ordenar o jogo quando na verdade era eu quem tinha as rédeas. 
Aproveitando a posição, descanso a cabeça no travesseiro enquanto de joelhos ele regrava a dança, desta vez, eu não tinha mais o controle , apenas gemia e mordia o travesseiro.
Trocamos de posição e novamente eu o ponho deitado e por cima, recomeço a hipnose, ele, beijava meus seios enquanto eu gemia e entre um arranhão e outro, gemia mais e mais até que ... , deitei-me sobre seu corpo, só havia o som de nossas respirações, o rádio que ainda tocava baixo na cozinha e da chuva, lhe beijei a boca com luxúria, fui descendo fazendo uma rota de pequenos beijos, mordidas e lambendo pequenas gotas de suor que se formaram com nossa indiscrição, desci até onde quis. Abro gentilmente meus lábios macios, quero senti-lo desesperadamente, quero lhe dar tanto prazer quanto recebi. Entre um movimento e outro ele segura firme meu cabelo pela nuca, ele chega ao prazer, eu aprecio seu gosto em minha boca,  ele  sorri e me puxa para seus braços. Ali adormecemos abraçados e descobrimos que naquele instante éramos unidade, mas a chuva continuava...


Soundtrack: https://www.youtube.com/watch?v=5NhLg1F9pMo

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