Sol e Lua como testemunha

Eu preciso de uma cerveja.
Você na cozinha, eu passo a mão em você, pensei "Ela quer ação! Tanto tempo né!" Ledo engano, você imediatamente me dá uma panelada gritando "SAI DAQUI!". A panelada doeu, mas a secura doeu ainda mais. Pensei: "Ainda bem que ela não estava com uma faca na mão!".
Volto pra sala, abro minha cerveja e você passa e vai pro seu quarto e coloca seu fones.
Eu, bebendo na sala, jogando vídeo game. Você no seu quarto cabisbaixa.
Os finais de semana tem sido iguais. Há muito tempo.
Cadê aquele mulher? O que houve?
Sabe, eu tenho nesse sequestro.
O que eu faço por ela? Pra estimulá-la como mulher? Ela tem sentimentos.
Vou na geladeira e separo um vinho.
-Toc toc toc ... silêncio ... toc toc toc ... silêncio ... toc toc toc ... silêncio ... o ranger da porta denunciava minha entrada.
Abro o guarda roupas, numa bolsa coloco algumas coisas e você interrompe suas músicas, me olha atônita. Deve estar pensando "O que ele tá fazendo? Será que vai embora? Sem falar nada?" Seus olhos lacrimejam, mas você nada diz. De alguma forma entendia e já imaginava.
Eu rompo o silêncio da casa:
- Amor, vista-se, vamos sair!
- Que? Você está louco? Sair? Pra onde? Olha meu cabelo, minhas unhas... Que porra é essa?
- Por favor, só vista-se e venha.
O táxi chega.
- Pra que táxi? Vamos aonde? Você viu que horas são? E a bolsa? Que hora vamos voltar? Tenho afazeres pela manhã.
Você se irrita, pois além de não responder, meu sorriso era irônico, mas escondia um nervoso sem igual.
Você estava nervosa, olhos lacrimejando e trêmula.
Puxei sua cabeça para os meus ombros e por um milagre você adormece. Eu alisava seu rosto... há quanto tempo não fazia isso?
- Chegamos.
- Porra! Praia? Essa hora? Quase 22? Você perdeu o juízo.
Ajeito tudo na areira.
- Sente-se por favor.
- Por favor, rápido, tenho que ir embora.
- Aceite essa taça. Não fala nada, só me escuta. Olha pro céu. A lua está linda, cheia. Olhe as estrelas. Sinta a brisa. O som das ondas. Sabe. Eu devo-te desculpas. Não tenho sido um bom homem com você. Não te faço um carinho, um elogio, uma delicadeza. Não te estimulo como mulher, acabo te humilhando. Então trouxe-nos aqui para que aqui, só você, eu e os astros pudéssemos começar, de novo. Sem tecnologia por perto, vídeo game, notebook... Trouxe porque quero ratificar a minha missão e prometer que a partir de hoje, esforça-me-ia para te fazer a melhor mulher que puder. A pessoa mais feliz que puder ser. Essa era minha missão e eu estava falhando. Quando encarei essa jornada, louca, assumi essa missão. É um privilégio. Lembra do primeiro beijo? A gente tava nervoso. A partir de hoje farei de tudo pra te fazer a rainha que mereces ser.
Nesse momento nos beijamos, um beijo simples, bonito, pueril. Ficamos deitados, olhando a lua. Nossos olhos lacrimejados e respiração desritmada.
Você começa a me fazer um carinho e no meu ouvido diz um simples "Obrigada." e me beija.
Eu te interrompo:
- Amor, eu só quero...
- Calado, rs. Eu já entendi. Também tive meus equívocos. A partir de hoje será diferente, prometemos.
Você se posiciona em cima de mim, enquanto subo seu vestido, você abre minha calça.
Não é sexo, é namoro, é amor. Sem pressa, se curtindo, sentido com os dedos cada centímetro do seu corpo. Você me mordia, me arranhava, me mordia... O beijo? Nossa, que beijo. Sentia falta. Você rebolava num ritmo freneticamente hipnotizante, lentamente. Morde meus mamilos, chupa meus dedos... Tento despi-la, você não deixa "É deserto, mas é público. Já está excitante demais todo esse perigo." Não podíamos fazer escândalo, mas isso era até bom, tudo que queríamos dizer fazíamos sussurrando no ouvido do outro. "Minha rainha, minha gostosa, sexy, deslumbrante, fascinante de rebolado enfeitiçador e toque de pura magia.
Quando acabamos ficamos deitados, abraçados...  Quando descobri uma coisa errada, enganei-me pensando que nada atrapalharia, uma onda veio e nos pegou de surpresa, entre risadas e o corre-corre na tentativa desajeitada de tirar nossos pertences do chão, a gente olha pro horizonte e o Sol está nascendo, nos contemplando, renascendo, assim como nós naquele dia...


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See ya!!!!

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Beijar o gramado.