CHUVA
Uma manhã chuvosa, 11 hrs, mas poderia ser muito mais. Uma péssima noite, chuva e trovões, dois corpos que quase ocupam o mesmo espaço, mas dois corações que se repelem, que mesmo juntos são água e óleo, que batem em frequências diferentes. Eu me levanto, depois de uma noite dessas preciso relaxar. Decido por um banho, com a porta entre aberta quero ver-te linda, dormindo, enquanto na banheira medito sobre a noite passada, um sexo que contemplou a carne, no entanto maltratou o espírito, corpo e alma desconexos, enquanto um gritava prazer o outro gritava dor. Aquele momento foi a ilustração da palavra paradoxo.
Acabei e resolvi descer. Quando cheguei à cozinha, liguei o rádio, mas por poucos instantes, pois o som da chuva e dos trovões eram mais relaxantes. Abri uma garrafa de vinho, não sentia fome, nem sede, apenas uma vontade injustificada de afogar algo dentro de mim que nem ao menos sabia o que era. Entre um gole e outro, entre um trovão e outro, você apareceu, sublime, usando ainda a minha camisa de botão azul, apenas, que em você ficava perfeito. Aliás, com um corpo perfeito como o seu, tudo ficaria perfeito de qualquer modo. Você abre a porta da geladeira, pega um copo d'água e sem nenhum contato visual volta pro quarto enquanto eu permaneço imóvel próximo à janela contemplando a chuva e os trovões, era um visual melancolicamente lindo e perfeito. Em um momento de loucura resolvi que deveria fazer algo, pego uma bandeja e coloco de tudo um pouco, frutas, queijos, pães, sucos, tinha certeza que nem tocarias na bandeja, porém precisava fazer algo.
Ao voltar pro quarto, você estava lá, sentada na cama, cabisbaixa, mexendo em alguns objetos, subjetivamente, sem nenhum intuito, só por mexer mesmo. Aproximo uma mesa e coloco a bandeja, você me olha nos olhos como se estivesse examinando minh'alma, não toca na bandeja, abaixa a cabeça de novo e permanece mexendo em mais alguns objetos. Nesse momento gelei, seus olhos pareciam sem vida, paralisado pelo pavor, deitei-me ao seu lado, você permaneceu em sua posição original e essa eternidade perdurou por quase uma hora.
Buscando onde não tinha, inflo-me de coragem e rompendo assim a inércia, me aproximo de ti. Você gélida, mostrava-se irritadiça à minha proximidade, contudo permaneço disposto e por trás, abraço-te. Seu cheiro, seus cabelos, me encorajam ainda mais e começo a beijar teu pescoço, mordidas na orelha, enquanto passeio minhas mãos por suas belas pernas, desta vez, estavas mais receptiva, mas ainda gélida. Então resolvo subir mais as mãos e carinhosamente toco em seus seios. Nesse instante tu te tornas mais ativa e com uma mão alisa minhas coxas enquanto me puxa pelo cabelo com a outra. Enquanto te beijo, deito-te na cama.
Agarro-te pelos cabelos enquanto a outra mão passeia pelo seu corpo escultural, alterno entre pegadas suaves de carinho e pegadas mais brutas de puro prazer. Subindo a mão, resolvo abrir sua blusa e a cada botão, um beijo, era uma reverência à perfeição do seu corpo, enquanto você passeava suas mãos pelos meus cabelos, em seu rosto havia um sorriso lindo. No último botão, nossos corpos estavam posicionados, mas não ainda prontos. Beijo seus seios e desço a mão pelo seu dorço contemplando toda formosura até te apertar os glúteos, você me encara, entende, é puro tesão e é recíproco, nesse instante você me aperta como em resposta a uma pergunta que nem sequer fiz, na verdade, nem precisei fazer. Nessa hora você me beija como nunca antes.
Invertemos a posição, fico eu deitado e você em cima de mim começa a me beijar e me despir, neste momento estamos prontos, sem inconvenientes ou obstáculos, prontos para.
Coloco-te deitada novamente, beijando-te desde a ponta da orelha até onde queria estar, posicionado entre suas pernas, você me puxa pelos cabelos enquanto te dou prazer. A cada linguada, um puxão de cabelo e cada vez mais, até que suas pernas começaram a tremer, foi quando você me puxou, beijou-me como nunca antes e no meu ouvido sussurrou: Por favor.
Ao iniciar, encarou-me novamente, no entanto, em seus olhos agora havia luz e em seus lábios o sorriso mais lindo que já vi. Você me empurra, me quer deitado e por cima começa a mexer, me excitar, durante a dança, nos beijávamos freqüentemente. Quando você se vira de costas pra mim, tenho a visão mais perfeita, contemplo todo o seu corpo enquanto você olhava pra trás e sorria e eu segurando-te pela cintura como se pudesse ordenar o jogo quando na verdade era você quem tinha as rédeas. Aproveitando a posição, você descansa a cabeça no travesseiro enquanto eu de joelhos regrava a dança, desta vez, eu tinha as rédeas nas mãos e você gemendo, mordia o travesseiro.
Trocamos de posição e novamente você me põe deitado e por cima, recomeça a hipnose, eu, beijava seus seios enquanto você gemia e entre um arranhão e outro você gemia mais e mais até que ... , deitou-se sobre meu corpo, beijou-me como nunca antes e foi descendo até onde quis. Entre um movimento e outro, me fez chegar ao prazer, você sorriu e se posicionou em meus braços. Ali adormecemos abraçados e descobrimos que naquele instante éramos unidade, mas a chuva continuava...
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