How I met your mother

Meu filho, sente-se. 
Já que você perguntou, tenho uma história longa pra te contar.
Eu conheci sua mãe numa época onde ambos estávamos aprisionados.
Estávamos vendados, sendo podados.
Para quem não conhece o doce, o amargo não é ruim.
Cada um a sua maneira, cada um em sua jaula, padecíamos.
Foi engraçado, entre um copo e outro, um esporro antes descabido, mostrou-se muito mais uma premonição.
Anos passaram-se a amizade tornando algo mais firme, meio que sem querer, assim como tudo conosco.
Com o passar dos anos eu me libertei, quebrei as correntes. Dolorosamente, sozinho, quase padeci.
Quase transpus a linha da vida. Poucas coisas me mantiveram aqui. Isso é mistério. Ainda bem.
Durante mais de dois anos muitas coisas aconteciam, nas nossas vidas, mas individualmente.
Enquanto isso nos orbitávamos. Era pueril. Ninguém desconfiava. Nem nós.
Durante o passeio do tempo eu fui tentar viver. 
Pra ser honesto, nem imaginava ser capaz das coisas que fiz.
Um relacionamento muito rápido, nem dois meses.
Eu procurei por aquela que não posso dizer o nome (rs), mas que tem parte nos meus traumas. Nem sei o por que. Mas procurei. E como teu padrinho disse: "Achei o que procurava!"
Eu estava numa fase de matar ou morrer. Abaixei a guarda.
Pela primeira vez na vida eu fazia, simplesmente. Fazias as coisas que muita gente não gostou. Mas é o que eu sentia. Eu queria fazer. E fiz.
E por fazer o que queria numa dessas sua mãe e eu nos beijamos.
Não posso dizer que foi sem querer. Naquele dia seria inevitável.
Tudo estava misteriosamente nos levando ao beijo.
Menos o momento. Confesso que nos adiantamos um pouco.
Talvez não fosse o certo, mas era o justo, para nós.
Durante aquela semana foi um mix de sentimentos até que no próximo final de semana nos entregamos.
Filho, seu pai, com 100kg, 28 anos, parecia um menino de tão nervoso.
Era como seu eu estivesse segurando uma pedra preciosa.
Sentia medo de cometer algum erro e o rubi quebrar.
Mas foi cósmico. Deu tudo certo. Foi indescritível.
No final uma bad indecifrável. Por nós moraríamos ali pra sempre.
E combinamos seguir. Até onde fosse positivo pra ambos.
Mas algo aconteceu. Foi um momento tenso. Mas foi bom.
Bom pra agilizar a tomada de decisão. De ambos.
Sua mãe e eu aflitos, alias, eu muito mais aflito que ela.
Ela sempre foi foda. Decidida. E eu ali tentando ajudar.
Tentando mostrar-me como um homem com quem ela podia contar. Um alicerce.
E as coisas foram difíceis.
Uma confusão financeira absurda. Um caos.
A vida em preto e branco.
Entre nós uma perfeição invejável.
Ao redor um caos inominável.
As coisas com a gente acontecia de um jeito diferente e isso tornava tudo ainda mais especial.
O aniversário da sua mãe naquele ano foi no hall do Poupa Tempo do Shopping. Tomando um vinho quente numa caneca que sempre carregava na mochila. E posso falar? Adorei tudo aquilo.
O nosso primeiro "eu te amo" foi muito, mas muito lindo. Foi sem querer.
A gente não pensou. Só disse. Quando o coração tá cheio ele transborda pelos olhos e pela boca. "Eu te amo" com sorriso lindo e os olhos lacrimejados.
Quando sua mãe ouviu eu soprar-lhe no ouvido tais palavras, eu juro, naquele momento o tempo parou. Ela estava estarrecida, mas absolutamente feliz. Seu rosto estava ruborizado. Todos os nossos beijos são perfeitos.
Pra se ter ideia, a gente discutindo data, num pub maluco da Lapa.
Eu resolvi do jeito mais simples possível, pedi ali mesmo.
Meu filho, que sorriso lindo que eu vi. Clareou o local. Tinha que ver.
Marca na agenda e tá feito.
Mensagem da amiga? Opa, mandei uma foto nossa!
Por que? Primeiro que eu tava doido pra dizer pra ela. Depois ela fez quase a mesma coisa com meus irmãos. Estava no direito.
Sabe?
Sua mãe é foda pra caralho.
Mesmo com toda dificuldade mantinha a serenidade.
Sabia o que queria.
Como queria.
E o que fazer.
Sinceramente, as coisas tendiam a demorar mais.
Sua mãe precisava estar só em casa para que pudéssemos prosseguir.
Então, sua mãe trabalhou muito. Eu fui ajudando como podia.
Enquanto isso a nossa aventura adolescente,
Planos e mais planos para estar juntos.
Acredite, fizemos algumas loucuras.
Após juntar uma parte da quantia, conversaram e finalmente ela conseguia estar só em casa. Não foi uma negociação simples. O clima foi tenso. Mas foi.
Nesse momento ela já conhecia meus pais, porém, a partir de agora poderíamos ficar mais a vontade. Sua mãe passou a frequentar mais a minha humilde casa, cheia de goteiras. 
Uma casa cheia de aventuras, mas aconchegante de certa forma.
Meu quarto gelado e minha cama cheio de reforço, 100kg pesa meu filho.
Eu passei a frequentar a casa da sua mãe.
Chegava sábado sorrateiramente e só saia domingo, por vezes segunda pra ir trabalhar.
A gente foi conquistando nosso espaço aos poucos.
Nessa altura seus avós já sabiam que sua mãe estava com alguém.
No shopping nos encontrávamos sem constrangimento e íamos ao cinema. Bebíamos chopp de vinho. Espeto Carioca...
Mais algumas semanas e conheço seus avós. Um almoço. Ambos estávamos nervosos. Mas eu tentava manter a calma. O mais difícil já tinha sido vencido.
O almoço começou num clima bem tenso. Tudo era novo pra todo mundo, porém, alguns minutos depois o clima estava mais ameno, o ar menos pesado e pronto, estávamos rindo, contando diversas histórias.
Agora eu podia vir com mais frequência na casa da sua mãe.
Nessa altura passávamos mais tempos juntos. Por diversas vezes eu saía da academia na quinta, ia pra casa da sua mãe e só voltava no domingo, ou ia direto para o trabalho na segunda.
Saíamos para bares mais próximos de casa, música ao vivo, de mãos dadas, nos beijávamos sem preocupação.
Aquele ano de 2017 foi um ano tão especial.
Nós passamos o Réveillon juntos, nosso primeiro, num lugar reservado. Posso falar. Foi ótimo. Chegamos por volta das 16hrs de domingo e saímos só no outro dia. Ajeitamos as coisas. Fizemos nossa pequena ceia. Frutas, chocolates, frios, vinho, espumante... O som era no celular mesmo. Na época nossa playlist tinha umas 20 horas.
Meu filho, como tudo no nosso relacionamento, as coisas acontecem sem querer.
Estávamos praticamente morando juntos. Eu ia pra academia mais perto da casa dela depois do trabalho e por diversas vezes ia pra casa dela ao invés de ir pra minha.
Então sua mãe me pediu em casamento. Você acredita? Não esperava. Era uma festa normal na casa da sua madrinha. Festa junina. Quentão, vinho, comidas típicas...
O bizarro foi que não sabíamos se ríamos ou chorávamos. Mas lembro do seu padrinho rindo pra cacete da minha cara ruborizada.
Eu a peguei no colo e nos beijamos. Lógico que aceitaria.
O corre corre pra conseguir tornar as coisas simples e lindas, como já divagávamos há tempos num exercício de imaginação.
Sítio, gazebo... até barril de vinho... Filho... foi lindo.
Principalmente ver sua madrinha colocando vários homens no chinelo bebendo vodka.
Meus pais emocionados. Eu estava muito emocionado. Eu que há pouco tempo pensara que nunca passaria por aquilo, só vi que era real mesmo quando finalmente estávamos de aliança. Sua mãe estava linda demais. Sério... a gente elegante, roupa leve, mas ela estava sublime. Foi tudo muito lindo.
A lua de mel queríamos Paris, mas como não conseguimos ir fomos pra Bariloche. Era um sonho nosso também. Inverno... Filho... Foi divertido a cara da sua mãe quando eu taquei uma bola de neve nela. Foi o começo de uma guerra. Ela colocou gelo nas minhas calças. Além de gelar até a alma, a calça ficou molhada. Mas sabe... a gente riu demais daquilo.
E como sempre as coisas acontecem sem um planejamento em si.
E depois de mais algum tempo, ela prepara toda uma surpresa pra dizer que eu vou ser pai. Chorávamos de felicidade.
A gravidez não foi das mais fáceis. Mas nada com a gente era fácil mesmo. Então enfrentamos tudo com muito otimismo. Sua mãe é forte pra cacete.
Então você nasceu e vimos que realmente o ano de 2017 foi um marco na nossa vida e que depois daquele beijo no sofá todos os dias seriam os mais importantes.


See ya!!!!

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